Feijão-preto
clássicoDois dias de molho, e devolve o sal aos poucos ao feijão, de dentro para fora.
Carne bovina salgada com força e pendurada no sol. A carne de sol é a coisa mais macia, seca na sombra, não esta.
Dois dias de molho, e devolve o sal aos poucos ao feijão, de dentro para fora.
Socado junto num pilão de madeira até a farinha torrada absorver a gordura da carne.
Arroz branco puro é um diluidor. Baixa o sal até um prato inteiro se tornar possível.
Refogado primeiro, sempre. Alliácea derretida é a única doçura que um molho de dois dias deixa espaço para.
Abóbora doce e desmanchada sob a carne salgada. O Nordeste empilha as duas e chama de esconderijo.
A carne seca não carrega ácido próprio; uma espremida à mesa é o que desperta as fibras.
Fatiada fina e jogada na gordura quente de alho. A folha amarga é o único verde do prato.
A carne salgada frita seca. Manteiga clarificada quente derramada no final devolve o que a cura tirou.
Feijão-fradinho e arroz numa panela só, a carne desfiada por dentro. O Ceará construiu uma refeição a partir da escassez.
Jogado fora do fogo. Sabão verde cru contra uma cura dura é um reflexo nordestino.
Frita até as bordas escurecerem; o amido caramelizado é o contrapeso doce do sal.
Fatiada, nunca cozida junto. Cítrico gelado reseta um paladar que a carne curada cobriu de sal.
O Pará come a polpa salgada, com carne seca e farinha torrada. Sal é o que a fruta pede.
Casca preta e azeda contra uma cura dura. Faz o trabalho de um tinto reduzido sem precisar de adega.
Polpa azeda e com sementes no lugar da rodela de limão, e traz um perfume que o limão nunca teve.